Apelo ardente do bispo emérito de Anápolis, Goiás

Caros irmãos no Episcopado,

Suportem-me, que o menor dos irmãos lhes possa dirigir uma palavrinha amiga, mas angustiada de quem se prepara, temeroso, para partir.

Pelo amor de Deus! Estamos diante de uma situação humanamente irreversível. A América Latina, outrora “Continente da Esperança”, como a saudava João Paulo II, hoje mergulha na ante-câmara do terrorismo vermelho, aliás, como prenunciava aos pastorinhos de Fátima a Senhora do Rosário.

Podem parecer, a essa altura, resquícios de uma idade de trevas, mas tudo acontece como se ouviu em dezembro de 1917 (“a Rússia comunista espalhará seus erros pelo mundo, com perseguições à Igreja, etc.”). Assusta-me a corrupção dentro da Igreja, o desmantelamento dos seminários, a maçonização de Cúrias e Movimentos.

Horroriza-me a frieza com que olhamos tal estado de coisas. Somos pastores ou cães voltados contra as ovelhas? Somos ou não, alem disso, cúmplices de uma política atéia empenhada em apagar os últimos traços da nossa vida cristã?

Perdoem-me, mas não poderia deixar de falar, sem me sentir infiel à minha consciência e à minha Igreja.

Parabéns a Dom Luiz Gonzaga Bergonzini e a Dom Henrique Soares da Costa.

In Xto et Matre,

Dom Manoel Pestana Filho

O mártir é “uma pessoa extremamente livre”, diz Papa

Pontífice pede o compromisso diário de crescer no amor a Deus

ROMA, quarta-feira, 11 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – O mártir é “uma pessoa extremamente livre” – afirma Bento XVI – pois a graça de Deus não suprime a liberdade, mas a enriquece.

O Papa falou sobre o martírio, “forma de amor total a Deus”, na audiência geral desta quarta-feira, realizada junto aos peregrinos reunidos em Castel Gandolfo.

“Onde se funda o martírio? – perguntou primeiramente o Papa –. A resposta é simples: sobre a morte de Jesus, sobre seu sacrifício supremo de amor, consumado na Cruz para que pudéssemos ter a vida”.

No martírio, opera “a lógica do grão de trigo, que morre para germinar e trazer a vida”. “O próprio Jesus é o “grão de trigo que veio de Deus, o grão divino, que se deixa cair na terra, que se deixa partir, quebrar na morte e, precisamente através disto, se abre e pode assim dar fruto na vastidão do mundo”.

“O mártir segue o Senhor até o fim, aceitando livremente morrer pela salvação do mundo, em uma prova suprema de fé e de amor”, disse o pontífice.

Segundo o Papa, a força para enfrentar o martírio nasce “da profunda e íntima união com Cristo”.

Isso porque “o martírio e a vocação ao martírio não são o resultado de um esforço humano, mas a resposta a uma iniciativa e a um chamado de Deus”.

O Papa comentou que, ao se ler a vida dos mártires, fica-se surpreso com “a serenidade e coragem no enfrentamento da morte: o poder de Deus manifesta-se plenamente na fraqueza, na pobreza de quem se confia a Ele e só n’Ele deposita a sua esperança”.

Bento XVI disse ainda que “é importante enfatizar que a graça de Deus não suprime ou sufoca a liberdade daqueles que enfrentam o martírio, mas, ao contrário, enriquece-a e reforça-a”.

O mártir “é uma pessoa extremamente livre, livre em relação ao poder, ao mundo, uma pessoa livre, que, num único ato definitivo, entrega a Deus toda a sua vida”. O martírio “é um grande ato de amor em resposta ao imenso amor de Deus”.

O Papa afirmou ainda: “provavelmente nós não somos chamados ao martírio, mas nenhum de nós está excluído do chamado divino à santidade, a viver em alta medida a vida cristã, e isso implica tomar a cada dia a sua cruz”.

Num tempo em que “o egoísmo e o individualismo parecem prevalecer, temos de assumir como primeiro e fundamental compromisso crescer a cada dia em um amor maior a Deus e aos irmãos, para transformar a nossa vida e assim transformar também o nosso mundo”, disse o pontífice.

(Alexandre Ribeiro)

Educar para a virtude


Por Sidney Silveira

O Pde. Garrigou-Lagrange nos deixou, em alguns de seus livros, verdadeiros cursos sobre a arte homilética, compondo não apenas belos temários orientadores para os sacerdotes, mas também indicando o modus retórico de que deve valer-se o padre para ser persuasivo e incutir na alma dos fiéis a necessidade premente de afastar-se do pecado e usar dos meios adequados para iniciar a obra da própria salvação. Exórdio, narrativa, provas, peroração e conclusão devem encadear-se de forma harmônica, sempre partindo de uma dificuldade proposta, que deve ser resolvida de maneira clara na conclusão.

Algumas regras são universais:

a) nunca partir de idéias por demais abstratas que só uma minoria consegue alcançar, mas começar sempre pelo mais simples e acessível — tanto a doutos como a indoutos;

b) pela mesma razão, não incluir na homilia questões teológicas altamente dificultosas, pois isto mais afasta do que aproxima os fiéis das verdades reveladas, além de trazer muita confusão. Um exemplo: segundo o Pde. Garrigou, o tema da predestinação deve ser relegado aos seminários, jamais sendo mencionado nas Missas, a não ser de forma passageira e acidental. Que prudência, a do grande teólogo tomista! Se observarmos bem, todos os que tentaram resolver em absoluto o tema da predestinação acabaram caindo em heresia;

c) usar de linguagem clara escorreita, pois o rio caudaloso da verdade corre melhor em leito límpido. Por isso, jamais se deve acanalhar o discurso com palavrões ou ironias desnecessárias, que mais induzem ao sarcasmo que à caridade. A ironia, quando for de fato a propósito, deve ser usada com parcimônia e sempre tendo em vista o bem da alma dos ouvintes.

d) partir sempre da premissa de que a homilia deve educar para as virtudes (as cristãs, é claro, cujo insumo é sobrenatural). Ter essa idéia em mente evita escolhos de todo tipo.

Essas e outras orientações úteis para os padres servem também para os professores — em particular os de filosofia. Sobretudo a de que é preciso educar para as virtudes (refiro-me primordialmente às morais). Sem elas o conhecimento sempre se transforma em instrumento de domínio, em uso maquiavélico do poder.