O neoconservadorismo é mais nocivo que o modernismo desmascarado

Por Allan dos Santos

Eu postei na minha página pessoal do Facebook:


Não sei quem cuida da página Missa Tridentina no Rio de Janeiro RJ, mas estão fazendo um deserviço à causa tradicional. Lamentável. 
Estão fazendo uma campanha ridícula para APROXIMAR a Missa Tridentina da Missa Nova.
Vejam, respeitar a Missa Nova e reconhecê-la como lícita e válida, é uma coisa. E que isso se faça como fazem os grupos como o Salvem a Liturgia. Mas, querer pretender-se tradicional e ficar ensinando normas que contradizem as normas litúrgicas até então vigentes para o Missal de 1962 em nome de uma reforma-da-reforma que se quer existe nos documentos? Não, por favor!
Os tradicionalistas precisam resistir e negar esta pérfida influência do que há de pior nos modernistas. Se a Liturgia hoje pode ser melhor compreendida não é porque a Missa Tridentina se desfez, mas EXATAMENTE o contrário. Se queremos defender a Fé e trazer dias melhores para a Igreja Católica, é necessário NADA MUDAR na Missa Tridentina, e esperar o Papa fazer isso. 
Que papelão usar Pio XII para defender o que era desejo de Bugnini! Que ao menos fosse homem e colocasse a cara para debater...
Eis o link que escreveram tosquices: www.facebook.com/photo.php?fbid=514062675281635&set=a.231309220223650.58933.231290870225485
Há os que dizem que estou sendo radical e não equilibrado, mas é fácil de notar que estes anônimos covardes querem construir uma Igreja aos seus moldes, diferente da proposta tradicional que é nada mais que manter o que sabemos ser seguro. É necesário dizer NÃO às novidades que não somos obrigados a crer, viver e abraçar. É necessário transmitir o que nos foi dado, em vez de interpretar o que não nos compete.

Não é de se esperar nada mais desta página. Na época da Peregrinação ao Cristo Redentor, postaram uma foto transferindo as informações oficiais da própria página da Peregrinação, causando um verdadeiro caos que levou à desistência centenas de pessoas.

A Idade Média existiu?

Palestra do Prof. Dr. Ricardo da Costa no evento organizado pelo Instituto Vera Fides na Igreja de Sant'Ana no centro do Rio de Janeiro, RJ.


O uso do chapéu - I


Em épocas diversas, o chapéu tornou-se um símbolo da dignidade de quem o portava; em nossos dias ele ainda sobrevive, remetendo para uma visão da antiga cortesia

Nelson R. Fragelli


Se não chega a surpreender, certamente é uma visão, cuja percepção desperta a atenção adormecida em meio às pessoas e aos ambientes padronizados de nossos dias. O olhar se detém, ainda que passageiramente, e a este olhar os espíritos se dividem. Ainda que por um momento apenas as concepções sociais irrompem. As ideologias se abrasam. Veloz como um relâmpago — mesmo que esta movimentação interior se passe, o mais das vezes, em silêncio — as mentalidades são sacudidas pelo estímulo daquela visão. Ideologias e concepções sociais saltam em direção, não só de uma Weltanschauung (“visão de mundo”), mas até mesmo rumo a uma posição política: direita ou esquerda?


Esta visão é a de um homem ou de uma mulher portando chapéu nas movimentadas ruas de nossas megalópoles. O chapéu sobrevive como um sinal de distinção social. Ele oferece uma visão da antiga cortesia que gravitava em torno da dignidade da pessoa humana. Em se tratando do porte de chapéu, talvez não se devesse falar nos atuais dias em homem e mulher, mas em cavalheiro e dama.

Será razoável achar que o chapéu desperta — mesmo quando não se fixa a atenção nele — tantos movimentos de alma? Convido o leitor a fazer a experiência. Pergunte discretamente aos conhecidos e amigos, quando virem alguém portando chapéu, atravessando o Viaduto do Chá ou em passeio num fim de tarde em Copacabana. Ouça as opiniões. Discretamente as anote. Elas revelarão que estas considerações não estão longe da realidade.
Winston Churchill à direita


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A primeira objeção formulada contra o porte do chapéu neste segundo decênio do século XXI é tão banal que contra ela hesita-se em esgrimir. Os leitores de Catolicismo — conhecedores, portanto, de nossas posições contra-revolucionárias — dariam a ela fácil resposta. Vale a pena, entretanto, analisar a raiz de sua banalidade. Frequentemente a banalidade é a máscara usada por uma inconfessável e ferrenha oposição. O chapéu, diz esta objeção, tinha no início do gênero humano a finalidade de proteger a cabeça contra as intempéries, mas com o progresso essa finalidade se perdeu. Na cidade ou no campo, a tal ponto a modernidade criou meios tão mais eficazes para agasalhar a parte superior do corpo que o chapéu perdeu sua utilidade. Logo, portá-lo hoje seria dar mostra de atraso cultural ou de apego a uma moda irracional. Esta é a oposição feita pelos assim chamados espíritos práticos e funcionais ao atual uso do chapéu.

Esses espíritos não querem considerar que a cabeça é a parte mais nobre do corpo. Nela residem as faculdades que mais levam à cognição intelectual e, portanto, aquelas que mais influenciam a formação espiritual. A cabeça foi posta pelo Criador no alto do corpo, de onde ela comunica sua dignidade, através dos séculos, à indumentária que a protege, assim como a dignidade do rei se transmite a seus próximos servidores. Diferentes épocas em países diversos conferiram ao chapéu formas, dimensões, cores e adornos indicativos da dignidade de quem o portava. Essa indumentária tornou-se, pois, um símbolo. Desse símbolo o chapéu, tal como hoje existe, é um depauperado, mas digno herdeiro, sustentado pelo bom gosto de muitos que não permitem seu desaparecimento. Ele é apenas uma exterioridade. Mas, conforme Plinio Corrêa de Oliveira, uma “exterioridade que revela, através dos sentidos, uma essência misteriosa, recôndita, de caráter simbólico, nela existente”.

De que adianta à conduta de cada um a procura desses símbolos? Os observadores mais penetrantes da personalidade de Winston Churchill diziam que “ele via, nos seres e nas situações, símbolos fora do tempo que encarnam princípios eternos e brilhantes”. Esses mesmos princípios lhe deram força nas horas trágicas da luta contra o hitlerismo, sustentando-a quando tinha como recompensa apenas “sangue, suor e lágrimas”.

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Assim como o barrete é portado pelo sacerdote para exprimir a misteriosa virtude do mediador entre Deus e os homens, o chapéu, portado com dignidade, evoca gestos e atitudes integrantes de uma verdadeira liturgia social, necessária aos atos humanos numa sociedade cristã. Num e noutro, no barrete e no chapéu, o católico deve “procurar algo que não é seu aspecto prático — algo que os espíritos que adoram o prático e a vida terrena chamarão de ‘coisa inútil’ —, ele deve procurar princípios que dão o sentido da vida e preparam a alma para o Céu” (Plinio Corrêa de Oliveira).