A Psicologia Tomista II



3.3. A imaterialidade da alma provada pelo modo como ela conhece as coisas e as comunica ao próximo pela linguagem:

(a) A simples apreensão: a simples apreensão defini-se como o ato por meio do qual o intelecto conhece alguma essência, na medida em que simultaneamente afirma ou nega, por cujo conhecimento produz-se o conceito. Em outras palavras, por apreensão simples entende-se o ato, por meio do qual, o intelecto apreende de modo absoluto, a seu modo e tornando o que apreende semelhante a si mesmo, algo do real [STh.I,q30,a3,ad2;In II Sent.d24,q3,a1,c]. Por isso, o Aquinate, seguindo o que Aristóteles afirmara, denominou a simples apreensão de intelecção indivisível. Por intelecção indivisívelentende-se a intelecção absoluta que o intelecto produz, por si mesmo, da qüididade de alguma coisa [In I Periher. lec. 3,n.3].

b) O singular: O intelecto produz o conceito, a partir do que considera da realidade. Mas a realidade, fora da mente, apresenta-se em sua existência singular. O que é o singular? Por singularentende-se algo individual, de nenhum modo comunicável a muitos [STh.I,q11,a3,c], cuja nota essencial é ser único e distinto de todos os demais [STh.I,q13,a9,c], de tal maneira que não pode ser definido [STh.I,q29,a1,ad1]. Do que se segue, que o singular não é apto naturalmente a ser predicado de muitos, senão de um só, ou seja, de si mesmo [In I Periher. lec.10]. Neste sentido, o singular é o que pode ser mostrado, designado, apontado ou indicado com o dedo [STh.I,q30,a4,c]. Assim sendo, o intelecto apreende, por abstração, a natureza do singular, de um modo mental, universal e a expressa por um conceito. Mas o que é abstração?

(c) A abstração: Por abstração entende-se o ato de abstrair, que é o ato que o intelecto faz quando apreende e torna universal e semelhante a si mesmo, uma realidade singular que existe fora do próprio intelecto. Abstrair é separar de algo singular toda a sua materialidade e movimento [In II Sent.d2,q2,a2,ad4; STh.I,q55,a2,ad2]. Neste sentido, a abstração significa o ato intelectual, por meio do qual o próprio intelecto torna inteligível o que ele considera e que existe fora da mente, de modo singular, sensível e individual. No ato do conhecimento, a abstração é o primeiro e mais nobre ato do intelecto, como sendo a sua mais perfeita operação [STh.I-II,q4,a6,ad3]. Em outras palavras, a abstração é o modo pelo qual o intelecto processa o conhecimento do real concreto, inclinando-se a ler por dentro - intus legere - a natureza, a essência do real concreto que ele considera, pois só abstraindo-a de sua sensibilidade pode ele conhecer a sua forma em ato [CG.I,44], a sua natureza, já que para conhecer o singular é sempre necessário abstrair [STh.II-II,q173,a3,c]. Mas o que busca o intelecto? O intelecto quando abstrai busca considerar o singular em sua universalidade; busca, portanto, produzir uma representação universal do singular [STh.I,q85,a2,ad2], ou seja, o intelecto produz uma similitude universal, inteligível do que no real existe de modo singular e material. Mas se o intelecto ordena-se a produzir, pela abstração, uma similitude universal do que considera do real, a primeira questão a saber é: o que é universal?

(d) O Universal: Etimologicamente, universal significa unum versus alia, um que se verte em muitos. Em seu significado real, universal é o que por natureza é apto a predicar-se de muitos [In I Perih. lec10]. Ora, se o universal é o que é apto de predicar-se de muitos, isso significa que o que é universal écomum de muitos. Do que se segue, que universal e comum de muitos são sinônimos [In I De trin. lec.1; In VII Met. lec 13]. Cabe frisar que o intelecto somente produz o universal por abstração [STH.I-II,q29,a6,c], pois o intelecto, pela abstração, ao produzir o universal, concebe o conceito, a partir do qual se expressa a essência universal da coisa particular, que ele considerou. Assim, pois, algo é considerado universal não somente quando o nome predica-se de muitos, mas, também, quando o que é significado pelo nome, pode dar-se em muitos [In I Perih. lec.10]. Cabe, ainda, distinguir o universal lógico do universal metafísico: o universal considerado em si mesmo, em seu conteúdo real e metafísico, é o universal metafísico; o universal enquanto conceito universal, desde um ponto de vista de sua predicação, é o universal lógico [In VII Met. lec13]. O universal lógico é real, porém abstrato [De ente et ess. c3]. Face a isso, cabe saber o que é o conceito.

(e) O conceito: O conceito é fruto da concepção que o intelecto faz pela abstração, ao considerar a universalidade da natureza de algo singular. Por concepção entende-se, neste contexto da lógica, a geração ou a produção de um conceito, por parte do intelecto [STh. III,q13,a12,c]. Pela concepção o intelecto produz uma palavra ou verbo mental, no qual encontra-se a similitude inteligível abstraída da coisa concreta, sem que com isso se estabeleça uma identidade entre natureza que concebe e a natureza concebida, pois o que o intelecto produz é uma similitude do objeto real [STh.q27,a2,ad2]. O conceito é uma voz mental, cujo sinal sensível é um nome que indica certo significado [In I Sent.d2,q1,a3]. Por isso, aquelas simples concepções que são produzidas pelo intelecto são vozes mentais - palavras interiores - [CG.IV,11] que significam alguma coisa [In I Perih.lec.16]. Alguns conceitos, por razão de sua universalidade, são mais abrangentes do que outros, como o conceito animal que é maisextenso do que o conceito homem, já que aquele se extende e se predica de mais realidades do que este. Ao contrário, o conceito homem é mais compreensível do que o de animal, porque é menos extenso do que aquele. Esta distinção, segundo a universalidade, é o que determina a extensão e a compreensão do conceito. Exige-se, para a expressão do verbo mental, os sinais lingüísticos, que por meio de palavras, nomes e verbos expressam o conceito e o seu significado.

(f) A linguagem - palavra, nome e verbo: O conhecimento intelectual do homem traduz-se, exteriormente, num conjunto de sinais sensíveis, falados ou escritos, que compõem a linguagem humana. O que é um sinal? Sinal é aquilo que serve para o conhecimento de outro [STh.III,q60,a4,c], ou seja, é o que se institui para significar outra coisa.

A linguagem humana é composta por sinais da fala e da escrita. A linguagem falada é expressão da fala. A fala é a manifestação, pela voz, da palavra interior que se concebe com a mente [De ver.q.9,a4]. Alinguagem escrita é a expressão gramatical da linguagem falada. O que é expressão gramatical? Em primeiro lugar convém saber o que é a ciência da gramática no contexto da filosofia tomista. A gramática é a ciência, por cujo hábito, o homem tem a faculdade de falar corretamente [STh.I-II,q56,a3,c]. A faculdade de falar corretamente, também, manifesta-se na escrita. A ciência da escrita é a Literatura. A Literatura é, em outras palavras, a ciência das letras. As letras são, pois, sinais das vozes mentais [In I Perih.lec2]. Tanto falada, quanto escritas as vozes formam a linguagem. Assim, pois, a linguagem é formada pela palavramental que pode ser apenas pensada ou mesmo proferida, falada e pela palavra escrita, que sempre representa a própria palavra mental mediante um sinal visível, impresso. Portanto, a parte elementar da linguagem é a palavra. Mas o que é a palavra? A palavra é uma voz convencional significativa de um conceito, que por sua vez é uma similitude da coisa [In I Perih. lec.10; STh.I,q13,a1], produzida pelo intelecto ao abstrair da realidade sua similitude inteligível [De nat. verbi intellectus]. O que é a voz? A voz é um sinal material, sensível da palavra, que permite a sua comunicação aos demais homens [In I Perih. lec.4] e consiste na emissão oral dos sons como efeito orgânico das cordas vocais [STh.I,q51,a3,obj4]. Apalavra significa a coisa mediante o conceito, pois segundo o modo como entendemos algo, assim o nomeamos [STh.I,q13,a1]. Mas o que é nomear? Nomear é dar nome. O que é o nome? Nome é uma voz significativa, isto é, uma voz que tem significado [In I Perih. lec.4]. Em síntese, o nome é um sinal inteligível do conceito [In IX Met. lec.3] manifesto numa palavra falada ou escrita. Uma coisa é a etimologia do nome, que indica a sua origem e outra coisa é a significação do nome, que indica o seu significado. Da etimologia conhece-se a origem de um nome para dar significado a algo. A significação do nome dá-se, segundo aquilo a que é imposto o nome significar [STh.II-II,q92,a1,ad2; I,q31,a1,ad1].

Se os nomes designam as coisas, os substantivos, os verbos designam os atos das coisas, seus movimentos e paixões. Por fim, cabe analisar o que tanto na linguagem falada, quanto escrita, serve para conectar, predicar as palavras e os nomes entre si. Eis o verbo. O que é o verbo? O verbo é uma voz significativa declinável com o tempo -presente, passado e futuro-, utilizado, às vezes, como substantivo ou considerado em si mesmo, em seu ato abstrato, no infinitivo [In I Perih. lec5]. Pelo que vimos anteriormente, embora um nome por sua origem etimológica sirva para significar algo, por seu uso e convenção pode ser tomado para significar outra coisa, como o nome cão que significa o animal, mas que pode ser tomado para significar a constelação.

[Pe. Paulo Ricardo] Palestra de lançamento do novo livro "Cristologia e Soteriologia" - 23 de Agosto, 20 horas

Na próxima terça-feira, dia 23 de Agosto, 20 horas (horário de Brasília) teremos a palestra do Pe. Paulo Ricardo via Internet, ao vivo, sobre o lançamento do seu novo livro "Cristologia e Soteriologia". O livro vem acompanhado de DVD e CD (MP3) e é o quinto volume da série de "Introdução à Teologia". Você já pode adquiri-lo em nosso site.

 

Pedimos a sua ajuda para divulgar a palestra para o máximo de pessoas conhecidas para que elas também conheçam o trabalho do Pe. Paulo.

 

Em breve divulgaremos detalhes de outra palestra, a do lançamento do livro "O Ano Sacerdotal". O livro é o primeiro de uma série de escritos do Papa Bento XVI que iremos lançar nos próximos meses. O palestrante será o organizador do livro, Pe. Demétrio Gomes, e a data inicialmente fixada é 7 de Setembro, uma quarta-feira.

 

Gostaríamos de anunciar que a nossa livraria virtual atingiu a marca de 1.300 títulos à venda e estamos trabalhando para ampliar ainda mais a variedade para que você sempre encontre em www.ecclesiae.com.br, os melhores livros católicos publicados no Brasil.

 

Gratos pela atenção,

 

Equipe Ecclesiae

www.ecclesiae.com.br

Rua Angelo Vicentim, 70 - Campinas - SP - 13084060

A Psicologia Tomista I



por Paulo Faitanin - UFF

1. Origem: Peri Yuchj [Perì Psychés, em latim De anima] foi provavelmente o nome dado ao grupo de 3 livros de uma obra inacabada que Aristóteles [384-322]escreveu. Já desde Homero via-se a evolução semântica do uso e aplicação do vocábulo yuch/ para significar o princípio de vida. Muito provavelmente foi por esta razão que o Estagirida ou o editor de sua obra assim denominara este tratado, já que o seu ojetivo era investigar a natureza, o ser, as propriedades e as operações da alma, enquanto princípio de vida do corpo [De anima, I,1, 402a 5-11]. Nela encontramos, efetivamente, uma investigação acerca da alma. Contudo, a formação e o uso da palavra psicologia [psyché+logia=ciência, estudo da alma], para designar tal estudo, é relativamente recente. Foi cunhada provavelmente ao longo do séc. XIV e XV, aparecendo no conteúdo de obras de Melanchton [1497-1560] e de Marcus Marulus [1450-1524]. Como título de um tratado surgiu na obra de R. Goclenius em 1590. Desde então passaria a nominar estudos sobre a alma, como o de Christian Wolff, no século XVIII, que por volta do ano de 1732, denominou seu estudo Psycologia empirica. Literalmente psicologia significava, como significa ainda hoje, o estudo ou a ciência da alma. Mas este estudo já havia sido considerado pelos antigos, por Platão e, especialmente, por Aristóteles que o sistematizou na referida obra. A partir da sistematização aristotélica psicologia passaria a designar o estudo da natureza da alma, a gnosiologia o estudo dos fenômenos psíquicos cognitivos, a antropologia a relação ontológica entre alma e corpo e ética o estudo das paixões da alma. Eis a divisão e o conteúdo da obra em Aristóteles:

2. Os Comentários de Tomás de Aquino: Tomás de Aquino [1225-1274] dedicou-se ao comentário do primeiro livro desta obra quando ainda estava em Roma, por volta de 1267. Mas os dois outros livros foram comentados quando já se encontrava em Paris, tendo o terminado por volta de 1270. O tema central é o da natureza espiritual da alma, sua unidade e operação. O Aquinate dedicou-se ao mesmo tema em outros dois tratados: a Quaestio disputata de anima de 1265-1266 e o opúsculo De unitate intellectus contra Averroistas de 1270. Na Quaestio dedicou-se à natureza e operação da alma e no De unitate à unidade da alma e de suas operações. De fato, a alma é a única forma do seu corpo, sendo nele individuada. Suas operações próprias e mais nobres não necessitam de algum órgão corpóreo, por meio do qual conhecesse a natureza das coisas. A abstração é o meio pelo qual a alma intelectiva considera a forma do objeto sensível sem as suas condições materiais, sensíveis, particulares e individuantes. Está ordenado o seu conhecimento à verdade. Para destacar a originalidade da psicologia tomista abordaremos a sua principal contribuição, ou seja, os seus Comnetários aos III livros do De anima de Aristóteles [Edição de M. Pirotta, Roma: Marietti,1948]. O Comentário é uma explicação sumária e doutrinal da obra. Não é uma exposição crítica. O Aquinate segue a divisão aristotélica de livros e capítulos, mas acrescentam-se as lectio, que aqui traduzimos mais por razão pedagógica que por razões lingüísticas por lições e não por leituras. Eis, pois, o número de livros, a sua ordem e as principais doutrinas de seu comentário:

3. A Psicologia Tomista: 

(a) O objeto da psicologia tomista: tal como vimos acima a psicologia tomista destina-se a estudar, sobretudo, a natureza da alma humana; diferente da psicologia contemporânea, especialmente a psicanálise, que se destina a estudar não a natureza, mas os fenômenos psíquicos, como o temperamento, as emoções, as funções e distúrbios psicológicos do homem. Na psicologia tomista destacam-se os estudos da definição, origem e natureza da alma.

 (b)Definição de alma: no contexto tomista, define-se alma do seguinte modo: ‘a alma é ato e perfeição do corpo’ [De Subs. sep., c.16]; ‘a alma é o ato do corpo, porque a alma separada não é vivente em ato’ [De unit. intel., c. 1].

3.1. A origem da alma: acerca de sua origem afirma que é herética a doutrina que estabelece que a alma humana é induzida do sêmen [STh I q118 a2 sol]. Daí que para Tomás ela não pode ser produzida senão por criação[STh I q90 a2 sol; In II Sent d1 q1 a4 sol; CG II c87; De Ver q27 a3 ad9; De Spirit creat a2 ad8; Quodl IX q5 a1; CTh I c93]. Deus é o criador da alma, mas isso não significa que ela seja parte ou induzida do ser de Deus [STh I q90 a1 sol]. Assim, ainda que não seja necessária a criação da alma se disposta a matéria, já que Deus pode não criá-la, mesmo que se disponha a matéria, será condição para a infusão instantânea da alma no corpo, a disposição simultânea do corpo [De nat mat c2 n374]. E é pautado nisso que aplicará a teoria da animação simultânea na concepção dos demais homens. O Aquinate estabelece, retomando a tese de Agostinho que a alma «Deus a cria infundindo e a infunde criando no corpo» [In II Sent d3 q1 a4 ad1].

3.2. A natureza da alma: a alma humana é de natureza espiritual, isto é, não é induzida ou tirada da matéria (traducianismo), materia ex qua, já que a alma non habeat materiam partem sui ex qua sit [In II Sent d17 q2 a1 ad5]. E se a alma não pode ser induzida da potência da matéria, também não pode ter pré-existido no sêmen dos pais [STh I q118 a2 sol]. Daí, que para Tomás ela non potest fieri nisi per creationem[STh I q90 a2 sol; In II Sent d1 q1 a4 sol; CG II c87; De Ver q27 a3 ad9; De Spirit Creat a2 ad8; Quodl IX q5 a1; CTh I c93]. A alma de natureza espiritual, como a intelectiva, é superior em ser, dignidade, nobreza e perfeição à alma de natureza corporal, como a vegetativa e a sensitiva. Por isso, a alma de natureza espiritual, possui, em si mesma, a perfeição do ser da alma da natureza corporal, sendo ela mesma, imaterial, incorruptível e imortal. A alma humana – que é simultaneamente sensitiva e nutritiva – é criada por Deus no final do processo da geração humana, depois da corrupção da última forma substancial pré-existente na matéria do sêmen dos pais, que é a forma de corporeidade [STh I q118 a2 sol]. O princípio da infusão da alma no corpo não se dá no início da geração, mas no final da geração do corpo, quando da disposição simultânea da matéria. Esta ‘disposição’ da matéria, como veremos, não se refere somente à organização e preparação final da matéria, como se o embrião estivesse perfeito e completamente formado, mas, pode também se referir, neste contexto da passagem da Suma, à disposição inicial da matéria, se admitirmos a teoria da animação simultânea aplicada à concepção dos demais homens, porque teria início com a conflagração do material genético herdado dos pais, cujo termo só se conseguiria com o fim da disposição ou geração do corpo, em cuja disposição final nada faltaria para receber a alma. É bem verdade que nos Comentários do Livro de JóTomás de Aquino deixa bem claro que a animação somente se realizaria depois de toda divisão orgânica, mas na Suma Teológica oferece a oportunidade de entender da maneira que expomos. A preparação inicial da matéria não constitui para Deus, obrigação que, pautada numa condição necessária dessa matéria, se seguisse a criação e infusão da alma no corpo. E isso, porque em Deus o ato da criação e infusão da alma no corpo são atos sumamente livres, cujas próprias condições são o seu sumo querer, liberdade e poder de fazê-lo, quando livremente o quiser fazer, tendo por fundamento do seu querer, liberdade e poder, somente o seu sumo amor. Resumindo, a infusão da alma [dispositioanimae] é simultânea à disposição do corpo: à própria disposição do corpo segue-se a disposição da alma racional [De Pot q3 a9 ad7]. Disso se segue que a alma tem materia in qua, ou seja, matéria em que existe, mas não materia ex qua, isto é, matéria da qual existe. Daí que a multiplicidade dos cor-pos não pode ser causa da multiplicidade das almas [CG II c81 n1620]. Por isso, a alma humana não recebe o seu ser de Deus, senão no corpo [In II Sent d3 q1 a4 ad1], na materia in qua, não podendo ser criada, pois, antes do corpo [STh I q90 a4 sol; I q91 a4 ad3 y 5; q118 a3 sol; In II Sent d17 q2 a2 sol; CG II c83-84; De Pot q3 a10 sol]. A capacidade que a alma tem por meio de sua mais nobre faculdade - o intelecto - de abstrair e conceber conceitos, constitui uma prova da imaterialidade da alma. O pensamento e a linguagem são efeitos da atividade imaterial do intelecto.