Sidney Silveira
Em seu comentário à Metafísica aristotélica (In XII lib. Metaph. L.III, 1.1.), Santo Tomás afirma:

“O filósofo deve considerar todas as dificuldades, pois, como lhe cabe investigar a verdade em toda a sua amplitude, também lhe compete confrontar-se com todas as aporias. Do contrário, deve comparar-se a quem anda sem saber aonde vai”.

Comparar-se a quem anda sem saber aonde vai. Sábias palavras do Santo! Certamente, ali o Aquinate não presume que a averiguação da verdade seja extensivamente completa — pois ele parte da pressuposição de que a verdade dos entes é inesgotável na medida em que participam da inesgotabilidade do Ser divino. Em síntese, quer dizer Santo Tomás em seu comentário a Aristóteles o seguinte: o filósofo deve pôr na investigação da verdade todo o seu ímpeto e todos os seus recursos. Decompor as aporias em suas premissas fundamentais, e não descansar enquanto o erro não revelar a sua face oculta. Tal atitude distingue o verdadeiro filósofo.

Cabe dizer que tal investigação nada tem de quixotesca, pois advém da consciência de que a inteligência humana é, primordialmente, a potência para todos os inteligíveis (como se diz nesta aula). É claro que um só homem não pode atualizar todos os inteligíveis da ordem do ser, pois, para tanto, ser-lhe-ia necessário possuir um intelecto infinitamente perfeito. Não! Em Santo Tomás não há esse racionalismo idealista, essa idéia de que a razão humana pode, por um método qualquer, resolver todos os problemas... É uma posição equilibrada:. nem a quimera racionalista, de um lado, nem a boçalidade pungente de quem não quer ver o óbvio, de outro. Realismo moderado.

A SÍNTESE TOMISTA, por Sidney Silveira

Sidney Silveira, grande amigo, certamente dispensa apresentações para o leitor de A VIDA SACERDOTAL. E em vez de apresentá-lo, venho reforçar a campanha. Unidos pela Fé.

Sidney Silveira
Até o início de outubro, começaremos a apresentar uma série de vídeos de aulas à qual demos o nome de A Síntese Tomista, em homenagem ao grande Garrigou-Lagrange, autor do hoje clássico 
La Synthèse Thomiste— obra de leitura obrigatória para todo estudioso da obra do Aquinate. É mais uma tentativa de viabilizar tanto o projeto da editora Sétimo Selo, como o do Instituto Angelicum. Talvez até não consigamos lograr tal intento, mas ainda não nos demos por vencidos...
As primeiras aulas serão compilações temáticas a partir de vídeos gravados em diferentes cursos (alguns trechos deles estão no Youtube, no Canal Contra Impugnantes). Ou seja: num mesmo DVD haverá trechos de aulas distintas. Quero aproveitar da melhor forma o material de que já disponho. Depois, num segundo momento, entrarão os vídeos de novas aulas. A propósito, não se espere uma superprodução técnica ou coisa que o valha, pois não há recursos fnanceiros para tal, mas sim o esforço sincero por produzir um conteúdo digno da obra de Santo Tomás e de sua importância para o Magistério da Igreja.
Os DVDs custarão R$ 60,00 e a venda será direta, de acordo com informações que postarei quando aproximar-se o momento. De toda forma, peço a todos os amigos católicos amantes da doutrina tradicional e interessados na obra de Santo Tomás que comecem a divulgar desde já este projeto. Façam circular esta informação para o maior número possível de pessoas.
Assim como no caso da editora, esta iniciativa será custeada com recursos próprios (pois não temos financiadores), razão pela qual dependeremos da venda para fazer o projeto vingar.
P.S. Agradeço imensamente aos amigos que compraram livros pela loja virtual da Sétimo Selo no mês passado. Isto possibilitou-nos reimprimir mais exemplares dos livros Sobre o Mal, de Santo Tomás (que estava esgotado) e A Candeia Debaixo do Alqueire, do Pde. Calderón. Com relação a este último, como sei que a nova tiragem deverá esgotar-se logo, peço aos interessados em adquiri-los que enviem email de solicitação do exemplar para rosangela@edsetimoselo.com.br nos próximos dias, para garantir a compra.P.S.2. Reitero: apenas com este apoio na compra dos produtos poderemos seguir em frente com a editora num ritmo que não seja o da velocidade contemplativa das vacas 'sagradas' da Índia (perdoem-me o chiste!), mas no ritmo que o projeto merece. Para ter-se idéia, há 5 livros prontos para a impressão, mas que esperam a entrada de recursos — os quais só poderão mesmo vir das vendas ou de um improvável mecenas que, providencialmente, aparecesse...

O consolo da Fé


Nada nos consola mais que o esclarecimento intelectual, ou seja, o esclarecimento espiritual. Pois, do contrário, o efeito seria mais excelente que a causa, a obra mais estupenda que o autor, a música mais genial que o artista; enfim, nada é mais ofegante que o consolo sensível quando nega sua transcendentalidade, por enganador que é, visto que este só pode chegar às aparências, àquilo que é acidental, sem lhe ser possível possuir o essencial e substancial por si mesmo.

Uma vida sem um apaixonar-se, de nada vale. E as paixões aprisionam as potências sensitivas, sejam para o bem ou para o mal, já que a moralidade das paixões se dá pela submissão e império da razão. Assim, e faz mister, reconhecermos que sem este império da razão é impossível fazermos bom uso das paixões.

Entretanto, a razão natural impõe-nos limites insuperáveis, ou mesmo intransponíveis, que só sob a luz da fé poderemos encontrar repouso. Desse modo, a fé é a fonte que imana no deserto, no vale de lágrimas de nossas vidas.

E, dentre tantas angústias e sofrimentos que nos assolam, a que hoje lhes trago como Água Viva, pois o ensinamento do Magistério é o ensinamento de CRISTO, Único Magister do qual o magistério eclesiástico participa: como reagir à bonança dos maus e ao flagelo dos bons? Ou em outras palavras, como conceber um DEUS Providente, Bom em Si mesmo, Justo, Misericordioso, quando vemos crianças indefesas serem assoladas e ínfimos homens, ou mesmo nojentos, homens que lançam nossos vômitos à sua própria face estarem com boa fama, impunes etc?

A resposta dada pelo Magistério da Igreja acerca desta incógnita (ao menos para a razão natural) nos é dada, entre muitas explicações de Santos e do mesmo magistério, é a presente no Credo, no artigo referente ao Juízo Final. Este artigo ensina o seguinte: Há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Como também a fortuna e a desgraça não fazem escolha entre bons e maus, era necessário provar que tudo é dirigido e governado pela infinita sabedoria e justiça de DEUS. Convinha, pois, não só reservar prêmios aos bons e castigos aos maus, na vida futura, mas também decretá-los num juízo público e universal, que os tornasse mais claros e evidentes a todos os homens.
Este artigo ensina-nos, entre tantos tesouros, que o juízo final será um grande consolo para os bons, vistos que estes, inclusive entre os Santos, por fraqueza humana, se lastimam em ver os maus na posse de grandes cabedais e dignidades. Tudo para a maior glória de DEUS. Pois, neste dia todos renderão louvores a DEUS.
Os meus pés por pouco não vacilaram, por pouco se não transtornaram os meus passos. Porque tive zelo sobre os iníquos, vendo a paz dos pecadores.
Devemos fortalecer nossos pés vacilantes, acautelando nossa ira com duas verdades sumamente luminosas. Primeira, que todos os maus serão punidos e conhecidos. Segunda, que nenhum homem pode, por si só e sem o auxílio da graça reconhecer-se pertencente ao mistério da piedade sem a possibilidade de perder tal graça, se é que a tem.

Ora, por esta razão a fé nos consola infinitamente. Se não estamos na graça, podemos pedir ao Senhor que nos coloque nela. Se nela estamos, mas nossos pés vacilam diante da impunidade dos ímpios ante a punição dos bons por permissão divina, podemos confiar e apaziguar nossos ânimos tendo esta verdade lenitiva doada por DEUS.

Tende coragem, EU venci o mundo! Que estas divinas palavras do Salvador dobrem até o chão tanto o nosso orgulho, escondido sob as aparências de pseudo-piedades, a qual é a presunção, como o nosso desânimo ante tantas injustiças.