Santo Afonso Maria de Ligório


Santo Afonso Maria de Ligório
(27/09/1696 - 02/08/1787)
- Bispo de santa Agatá dos Godos
- Confessor
- Doutor Zelosíssimo da Igreja
- Fundador dos Missionários Redentoristas

Baixe os livros seus livros aqui. 

Visite o site www.voltaparacasa.com.br 

“A tentação é uma pedagogia de Deus”, explica o salesiano Dal Covolo

A vocação sacerdotal é um ato de Graça, “ninguém chama a si mesmo”

Por Mirko Testa
ROMA, domingo, 2 de maio de 2010 (ZENIT.org).- As tentações a que os sacerdotes estão expostos durante a vida devem-se entender como provas de fé para amadurecer a vocação.

É o que afirma o salesiano Enrico dal Covolo, de 59 anos, que do dia 21 a 27 de fevereiro pregou os wxercícios espirituais de Quaresma na presença do Papa e seus colaboradores da Cúria Romana. As meditações, sobre o tema do sacerdócio, encontram-se agora em volume In ascolto dell’Altro (Editora Vaticana).

“Claramente - explica a ZENIT monsenhor Enrico dal Covolo - este é um ponto fundamental diante da crise de uma cultura cada vez mais incapaz de escutar o outro, mas também aos outros que nos rodeiam, e frente à tentação de autorreferência que está sempre à espreita”.

Em relação aos escândalos por abusos sexuais por parte do clero que têm afetado a Igreja ultimamente, o sacerdote considera que “se impõe imediatamente um reflexão ampla sobre a vocação baseada realmente nos textos bíblicos que constituem seu paradigma”, opina.

E explica: “O ponto de partida de tudo é precisamente a Graça de Deus, porque a vocação sacerdotal, como qualquer outra vocação, é em primeiro lugar um ato de Graça, de eleição por parte de Deus”.

“Ninguém chama a si mesmo na perspectiva da fé – continua –, mas que só Deus chama; e é Ele que de maneira livre e gratuita aprecia aquele a quem chamou”.

Nesse sentido, a vocação dos apóstolos representa “a prova mais bonita e a melhor documentação: é de fato o Senhor mesmo que os chamou, os preparou para a missão que enviava, ainda que sem tirar-lhes a liberdade”.

“Tanto é assim que um dos doze é precisamente o traidor, assim como são inúmeras as provas de debilidade humana também dos outros doze”, continua.

“Portanto, não quer dizer que os sacerdotes, assim como os apóstolos, sejam imunes às tentações – indica. Eles, de fato, estão sujeitos às tristes consequências do pecado original”.

“Não existe a figura do sacerdote angelical, ou seja, que não sofre as tentações, as recaídas: tudo isso está presente de forma dramática na história do sacerdote”.

“Nem sequer Jesus esteve isento da prova, tampouco Maria esteve isenta”, recordou o salesiano.

“A tentação é uma pedagogia de Deus, é uma prova de fé que faz amadurecer o caminho vocacional”, destaca.

“O que salva, como se vê na vida de Pedro, é o recurso à fé e ao amor por aquele que chama – afirma. O que é decisivo para Pedro é a resposta definitiva: “Senhor, sabes que te amo”.

“E assim é a missão apostólica; é como dizer: ‘apascenta minhas ovelhas’”.


Fonte: http://www.zenit.org/article-24759?l=portuguese

A Ética Tomista – Parte III: Ética Geral II


(f) As virtudes morais: um ato humano bom isolado não constitui hábito bom e nem um ato humano mau isolado constitui hábito mau. Mas a constância e a repetição de um ato humano bom dispõem o hábito bom e a repetição de um ato humano mau dispõe o hábito mau. Decorrente de um hábito bom a ação boa constitui-se como força e perfeição da natureza e de um hábito mau, a ação má constitui uma deficiência ou privação de perfeição da natureza. Por isso, denomina-se virtude o hábito operativo bom e vício o hábito operativo mau. A virtude como disposição habitual reveste a natureza de quem opera de tal modo que imprimi nela uma força, daí virtude, de difícil remoção, que torna melhor a natureza e a operação de quem a possui. Por isso, a virtude torna melhor quem a possui e dispõe quem a possui para a boa operação. Mas o mesmo se diz do vício, que sendo um hábito mau imprime na natureza de quem o possui uma má disposição, enquanto lhe priva de alguma perfeição e que é de difícil remoção, que torna pior o ser e a operação de quem a possui. De qualquer maneira, é mais fácil adquirir um hábito bom do que remover um hábito mal, justamente por causa da influência das paixões sobre o voluntário; e isso se confirma ao constatarmos que as paixões são iminentes e muito dependentes frentes àquilo que as experiências sensíveis rotineiramente nelas causam inclinação ou aversão. São propriedades das virtudes:

(1) ser o justo meio termo entre o excesso e a deficiência;

(2) tornar a ação fácil e deleitável;

(3) relacionar-se com outras virtudes e com o fim último e

(4) não se verter em mal. As virtudes morais são adquiridas pela repetição dos atos. Regra que também vale e se aplica aos vícios. Neste sentido temos: o ato repetido gera o hábito e o hábito, segundo o bem ou o mal, gera ou a virtude ou o vício. E porque a ação humana pode ser a nível especulativo e prático, há por isso hábitos especulativos e práticos e, do mesmo modo, virtudes e vícios especulativos e práticos. Falemos, pois, das virtudes. As virtudes se dividem em virtudes intelectuais, que pelo hábito dos princípios da razão teórica, aperfeiçoam o intelecto e em virtudes morais, que pelo hábito dos princípios da razão prática, aperfeiçoam a vontade e os apetites sensíveis concupiscível e irascível.

As virtudes intelectuais se dividem em especulativas e práticas. A virtude intelectual especulativa inclina o intelecto perfeitamente para a verdade universal e são três: o intelecto (hábito dos primeiros princípios especulativos), a sindéresis (hábito dos primeiros princípios práticos) e a sabedoria (hábito de considerar a realidade por sua causalidade última). A virtude intelectual prática inclina o intelecto para o reto juízo aqui e agora, acerca da ação particular. São virtudes intelectuais práticas a arte (a reta razão do fazer ) e a prudência (a reta razão do agir).

As virtudes morais se dividem em quatro virtudes, ditas cardeais, visto que sobre elas se fundam outras virtudes: a prudência, que é virtude racional por essência e se dispõe a aperfeiçoar a razão; a justiça, que é racional por participação e dispõe ordenar a vontade; a fortaleza, que modera o apetite sensitivo irascível e a temperança, que modera o apetite sensitivo concupiscível. Como regra geral, a importância da virtude está em que ela torna bom aquele que a possui e boa a obra que ele faz [Sum. Theo. II-II,q47,a4,c] Eis, pois, as quatro virtudes morais:

As virtudes cardeais
Virtudes intelectuais: aperfeiçoam a inteligência Especulativa: inclina o intelecto para a verdade universal intelecto: hábito dos primeiros princípios teóricos que permite a intuição dos primeiros princípios [Sum. Theo. I-II,q57,a1].
sindéresis: hábito dos primeiros princípios práticos que notifica a consciência como deve agir fazendo o bem e evitando o mal [Sum. Theo. I,q79,a12].
sabedoria: hábito de considerar as coisas à luz das últimas causas [Sum. Theo. I-II,q57,a2].
ciência: hábito de considerar as coisas à luz das causas particulares [Sum. Theo. I-II,q57,a2].
Prática: inclina o intelecto para o juízo reto acerca das operações particulares prudência: reta razão do agir para agir como se deve agir em cada momento [Sum. Theo. II-II,q47].
arte: reta razão de fazer para fazer bem certos objetos [Sum. Theo. I-II,q57,a3].

prudência: reta razão do agir [Sum. Theo. I-II,q.57,a4 e II-II,q47,a5]; as partes integrais são: memória, inteligência, docilidade, atenção, providência e circunspecção. São partes potenciais: o juízo, o conselho.
Virtudes morais: aperfeiçoam as potências apetitivas - a vontade e as paixões.
justiça: dar a cada um o que lhe convém [Sum. Theo. II-II,q58,a1]; as partes subjetivas são: acerca do bem individual - a justiça comutativa (entre homens) e distributiva (entre a autoridade civil e os homens) -, e acerca do bem comum - a justiça legal, social e internacional -. São partes potenciais: a justiça para com Deus (religião); para com o próximo, com a pátria e com os superiores (piedade, obediência, observância, amizade e gratidão).
fortaleza: é a virtude da reta razão que põe firmeza na vontade frente ao apetite sensitivo irascível [Sum. Theo. II-II, q123,a2,c]. Partes integrais: confiança, magnificência, magnanimidade, paciência e perseverança.
temperança: é a virtude da reta razão que põe moderação na vontade frente ao apetite sensitivo concupiscível [Sum. Theo. II-II,q.141,a1,c]. Partes subjetivas: abstinência, sobriedade, castidade e pureza. Parte integral: a honestidade. Partes potenciais: humildade, mansidão e modéstia.

Todas as virtudes morais se conectam entre si e supõem a prudência [Sum. Theo. q65,a1/De virt. card. ai,ad1/Quodl. XII,a22] e todas dispõem a vontade ao fim último [In VI Eth. lec10,n1270 e lec11,n1289]. Já que o apetite não se inclinaria ao fim último se a razão e a vontade não fossem afetas pelas paixões e se a razão e a vontade não fossem dispostas segundo a reta razão do agir pelos hábitos, conclui-se que as paixões e os hábitos são disposições especiais pelas quais o homem pela razão e pela vontade age em função do fim último [In I Eth. lec13,n516/Comp. Theo. c.174/Sum. Theo. I,q20,a1,ad1/De ver.q24,a1,ad19/De virt. card. a2]. Seria equivocada a opinião que sustentasse que, porque são as paixões e os instintos que favorecem a formação de vícios, não seriam tais disposições adequadas à formação de virtudes. Nada mais incorreto, pois se são os instintos e as paixões naturais disposições da alma, são elas mesmas as mais adequadas para a formação das virtudes. Por isso, diz-se que as paixões e os instintos em si mesmos considerados, não são nem bons nem maus, porque são disposições naturais da natureza, são bons e maus segundo o uso ou não do reto ditame da razão. No estado da vida presente em que a alma se encontra unida ao corpo não se atinge o fim último; mas no estado da vida futura, em que a alma se encontra separada e que pode atingir o fim último, para ela deve ordenar-se toda a vida atual, segundo a ordenação da reta razão dos atos humanos [De ver. q24,a11/C.G.IV,92 e 95]. 

(g) Os vícios: temos visto até aqui que a virtude é a disposição do que é perfeito para o melhor, por perfeito entende-se o que está disposto segundo o modo de sua natureza [Sum. Theo. I-II,q71,a1,c]. Três coisas se encontram em oposição à virtude: o pecado, que se opõe ao fim bom que a virtude se ordena; a malícia, que se opõe àquilo a que se ordena a virtude, a bondade e o vício, que se opõe à disposição habitual da virtude ao bem [Sum. Theo. I-II,q.71,a1.c]. Vício é a privação de perfeição da natureza por disposição habitual contrária ao bem da mesma [Sum. Theo. I-II,q71,a1,c]. O vício opõe-se à virtude. Ora, a virtude de cada coisa consiste em que esteja bem disposta segundo o que convém à natureza. Logo, deve-se chamar vício, em qualquer coisa, o fato de estar em disposições contrárias ao que convém à sua natureza [Sum. Theo. I-II,q71,a2,c]. O hábito é que está no meio entre a potência e o ato. É evidente que o ato é mais do que a potência, no bem como no mal. Por isso é melhor agir bem do que poder agir bem e, do mesmo modo, é pior agir mal do que poder agir mal. Portanto, o ato vicioso é pior do que o hábito mal ou o vício [Sum. Theo. I-II,q71,a3,c]. Pois bem, denomina-se pecado, como já aludimos, o ato vicioso que se opõe: à lei eterna, que é Deus, ou seja, é a aversão a Deus e a conversão às coisas criadas e à lei natural da razão, que é a lei da natureza humana. Portanto, em oposição às virtudes cardeais há os vícios ou pecados capitais, ditos deste modo, porque são cabeças e dão origem a muitos outros [Sum. Theo. I-II,q.84,a4,c]. Os vícios se dividem segundo a oposição às virtudes. Sendo assim, temos:
Os vícios capitais
Vícios capitais: desordem do intelecto e das potências apetitivas
À prudência, a reta razão de agir, que ordena e inclina a razão ao fim último que é Deus, se contrapõe o vício
À justiça, que ordena e inclina a vontade dar a cada um o que lhe convém se contrapõem os vícios
À fortaleza, que põe firmeza na vontade frente ao apetite sensitivo irascível se contrapõem os vícios
À temperança, que põe moderação na vontade frente ao apetite sensitivo concupiscível se contrapõem os vícios
soberba: apetite desordenado da própria excelência e início de todos os vícios [Sum. Theo. I-II,q84,a2,c].
avareza: apetite desordenado das riquezas, de qualquer bem temporal e corruptíveis [Sum. Theo. I-II,q84,a1,c].
inveja: apetite desordenado dos bens alheios que se caracteriza como uma tristeza em que considera que o bem do outro é um mal pessoal [Sum. Theo. II-II,q36,a1,c].
preguiça: apetite desordenado que se configura como uma tristeza profunda que produz no espírito do homem tal depressão que este não tem vontade ou ânimo de fazer mais nada, e se manifesta como um torpor do espírito que não pode empreender o bem [Sum. Theo. II-II,q35,a1,c].
ira: apetite desordenado que se configura como tristeza e se conflagra no desejo e na esperança de vingança [Sum. Theo. I-II,q46,a1,c].
gula: apetite desordenado do desejo e do deleite de alimentos [Sum. Theo. II-II,q148].
luxúria: apetite desordenado do desejo e dos prazeres sexuais [Sum. Theo. II-II,q153].